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300 vezes Barrichello

September 2nd, 2010 | 37 Comments | Filed in Fórmula-1, Fórmula-1 2010

Vida longa e próspera. Não como ele sonhava, mas…

Em uma manhã de 1986, estava eu diante da TV assistindo a um GP da Grã-Bretanha em Brands Hatch. Seria uma corrida especial para Jacques Laffite, que tendo participado de 175 corridas na Fórmula 1, alcançaria naquele dia a marca histórica de Graham Hill (que perdurava havia 11 anos). Na primeira volta, o azarado francês sofreu um acidente que lhe quebrou as duas pernas.Como a largada foi cancelada (oficialmente não aconteceu), ele não alcançou aquele número mágico.  Brands Hatch nunca mais abrigou a F1, e Laffite encerrou ali sua carreira em monopostos.

Jordan 1993

Quase um quarto de século depois, sabemos que o recorde de Hill (dependendo da fonte, de Laffite também) já foi superada por diversos pilotos. Mas foi um brasileiro que ousou romper a barreira dos 300 Grandes Prêmios – e contando, pois ele já tem praticamente renovado seu contrato com a Williams por pelo menos mais uma temporada. Nem precisa mencionar que seu feito dificilmente será igualado por qualquer outro.

Muitos são os motivos que levam um piloto à aposentadoria. Falta de patrocínio, de vaga para correr, cansaço (seja em relação às constantes viagens e compromissos ou ao ambiente predatório dos paddocks), ou mesmo o fim do prazo de validade do piloto – quando a velocidade claramente diminui e o medo, aumenta. Ao contrário disso tudo, Rubens Barrichello foi mais longe do que todos os demais, e não dá mostras de que para tão cedo.

O Barrichello de hoje não é mais aquele Rubinho, moleque rápido e sonhador, deslumbrado por ter alcançado seu maior objetivo, recém promovido àquele seleto grupo pelas mãos de Eddie Jordan. Também não é o atormentado piloto que buscava um caminho após receber a pesada carga de substituir a ninguém menos que Ayrton Senna, seu tutor e amigo, nos corações dos (muito) pouco informados porém (extremamente) exigentes torcedores brasileiros. Tampouco ele é hoje o Rubens, rapaz novamente deslumbrado ao ter o privilégio de guiar por uma das equipes mais tradicionais da categoria, que sofreu a duras penas para entender que ele não era o número 1 na pista – muito menos o seria dentro do time. No meio dos leões, não se portou como gladiador, e sim como cordeiro. Mas aprendeu. O Barrichello de hoje coleciona lições adquiridas com gosto ou a contragosto, desde seu acidente no fatídico GP de San Marino de 1994 até a sua quase aposentadoria quando a Honda deu o seu sayonara. Ele pondera as palavras, trabalha quietinho, segue fazendo aquilo que gosta e ainda ganha uma boa grana para tal.

É muito fácil para a sua legião de críticos descerem a lenha no piloto, afinal de contas, ele os municia com bastante frequência. Difícil para eles é admitir as qualidades inegáveis que o levaram a atingir essa marca. Mesmo que seja pela insistência, Barrichello consegue assim escrever seu nome na história da F1, e muita gente vai ter que engolir.

Em Spa-Francorchamps, a corrida do Highlander acabou na primeira volta. Justo ele foi vítima dos caprichos meteorológicos da pista belga. Pode-se dizer que foi o fim de semana que separou os homens dos meninos. Mark Webber refugou na largada caindo para sétimo, porém manteve o sangue frio que o levou ao pódio. Lewis Hamilton foi sempre favorito e confirmou a sua condição de postulante ao título. Com a vitória, veio e a liderança do campeonato e o alívio. Depois de uma escapada nas voltas finais, quando a chuva deu às caras novamente, certamente o britânico cruzou a bandeirada prendendo a respiração.

Gongo no Tião

Pelo jeito que as coisas andam, provavelmente a disputa pelo título fica entre Hamilton e Webber. Porque Sebastian Vettel está alternando momentos, alguns mais Gilles Villeneuve e outros  mais Nigel Mansell, ou seja: muito talento e pouco cérebro. Após uma atuação desastrada – e desastrosa -, o alemão está em um limbo muito perigoso. Ele é jovem e ainda tem muito a amadurecer, mas por outro lado, ele já deveria demonstrar alguma experiência e não cometer erros como a bizarrice em que ele arruinou não apenas sua própria corrida, mas também a do campeão Jenson Button. Com o mau resultado dos dois, seus parceiros ganharam uma vantagem importante na reta final da temporada. Errando assim, não dá para ser campeão. Nem merece.

Como de hábito, façamos reverência ao melhor piloto do ano: Robert Kubica. O feinho anda muito mais do que o seu carro e se intromete sem a menor cerimônia entre os caras que disputam o campeonato. Andou em segundo e ficou em terceiro. Pior para o seu companheiro Vitaly Petrov, novato, mas que mesmo assim, está sob constante pressão dentro da equipe. E considere que o russo saiu das profundezas da 23ª posição para chegar em nono.

Michael Schumacher também veio do fundão (em função da punição da Hungria) e pontuou. Para não abandonar a rotina, foi ultrapassado já no fim por Nico Rosberg, que tomou a sexta posição de um heptacampeão resignado. Até porque quando ele se defende, dá zebra.

Sobre aquela equipe, continuamos sem comentários até que saia alguma conclusão do julgamento. Só para lembrar que o Conselho Mundial da FIA se reunirá no dia 8, nas vésperas do GP da Itália (próximo dia 12). Será que o Conselho vai colocar jiló nessa pizza? Acho que eles vão todos de mozzarella mesmo…

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Se não fosse a bandeira amarela…

August 6th, 2010 | 10 Comments | Filed in Fórmula-1, Fórmula-1 2010

O australiano arriscou - e petiscou.

As setenta voltas do GP da Hungria dificilmente apresentam alguma coisa além de uma eterna fila. Sebastian Vettel fez desta vez tudo como manda o figurino (inclusive marcou o novo recorde da pista na qualificação) mas não levou a vitória por conta de um drive-through aplicado no abstrato pelos fiscais, segundo os quais o piloto teria deixado “um espaço superior a dez carros” em relação a Mark Webber na relargada após a bandeira amarela. O terceiro lugar não refletiu a performance do melhor piloto do final de semana, e por mais discutível que seja a punição, como dizia o velho Fangio: carreras son carreras. É a vida.

Falando na bandeira amarela, os pedaços de uma Force India provocaram a entrada do safety-car com efeitos drásticos sobre o destino da corrida. Cenas dignas de Larry,  Moe & Curly aconteceram durante a bateria de pitstops. Uma roda  se soltou da Mercedes de Nico Rosberg, atingindo um membro da Williams; o homem do pirulito da Renault liberou Robert Kubica no exato momento em que Adrian Sutil chegava ao box vizinho. Após a mistura das tintas, o piloto da Force India ficou por ali mesmo, e o polonês encostou voltas depois.

Executando a tática da “faca nos dentes” com perfeição, Webber conseguiu adiar o máximo sua troca obrigatória de pneus – se parasse durante a bandeira amarela, ficaria esperando o serviço de Vettel e suas chances terminavam ali mesmo – e fez inacreditáveis quarenta e duas voltas com as borrachas supermacias. Na medida para realizar seu pit e voltar em primeiro sem qualquer susto. O canguru australiano deu seus saltos no topo do pódio pela quarta vez, e reassumiu a liderança do mundial graças ao desafortunado abandono de Lewis Hamilton.

Perseguição

Para Rubens Barrichello, a má classificação foi compensada com uma boa largada, de 12º para nono mesmo partindo do lado sujo da pista. Já dava para imaginar que sua vida se complicara quando a equipe decidiu não trocar seus pneus duros durante o safety car, afinal, FW32 não é RB6. Mas quis o destino que ele tivesse que abrir mão da ótima quinta colocação em que ele se encontrava para colocar pneus supermacios novinhos e voltar na 11ª posição, atrás de ninguém menos do que Michael Schumacher.

Esta foi uma das poucas oportunidades em que os ex-companheiros e atuais arquirrivais estiveram em combate direto na pista. E poucas vezes um único pontinho na Fórmula 1 foi tão intensamente disputado. Por tudo que ocorreu no passado, fossem nos papos de alcova da equipe mais escrota da F1 ou nas declarações de parte a parte nos últimos tempos, nenhum dos dois pilotos queriam perder essa disputa. Rusgas inclusive reacendidas no episódio de Hockenheim poucos dias atrás. A favor de Schumacher estavam as curvas fechadas sem muitas oportunidades de ultrapassagem. Contra ele estava a má forma que o tedesco apresenta em 2010, tanto pelo peso dos anos de aposentadoria quanto pela proibição dos testes, fator que dificulta ainda mais a readaptação ao carro. Do lado de Barrichello, contava – além de seus pneus tinindo de novos – a boa fase que vive na Williams, onde ao contrário do sofrimento de Schumacher com Rosberg, o brasileiro dá lições ao jovem Hülkenberg, dono de grande potencial. Todas as cartas estavam na mesa, e a diferença era de nove segundos.

Prendendo a respiração...

Com aquele gosto de sangue na boca, Barrichello pulverizou a diferença e iniciou um dos duelos mais técnicos dos últimos tempos. Schumacher utilizou de todos os recursos para irritar e induzir o brasileiro a um erro (objetivo que ele conseguiu em Interlagos-1996). Quando desferiu o ataque final, Barrichello se viu espremido pela Mercedes e deu uma sorte do tamanho do mundo, pois se o muro tivesse um metro a mais de comprimento, ele teria feito uma visita aos médicos que trataram outro brasileiro há um ano.

Valeu um pontinho só. Mas para Barrichello, talvez ele tenha feito o que ele sempre acreditou ser capaz de fazer: ultrapassar Schumacher em igualdade de condições. A apelada do alemão – que poderia ter rendido uma bandeira preta, mas acabou como perda de dez posições para a próxima corrida – acabou como a cereja do bolo, já que Schumacher se viu forçado a rever suas declarações após a corrida e pedir desculpas publicamente pelo ocorrido.

Valeu apenas um ponto nas estatísticas do piloto. Mas lá no fundo, para Barrichello, foi um ponto que ele suou muito – e levou anos – para conseguir. Deixando de lado patriotadas inúteis e sentimentalismos advindos do viralatismo, para ele – e só para ele – deve ter mesmo tido um gosto especial.

Barrichello recebeu, durante seu suplício na cadeira elétrica da Honda, uma mensagem no celular do então aposentado Schumacher sugerindo que fizesse o mesmo. Hoje é o brasileiro que pode dar a ideia ao alemão para que ele volte ao pijama.

Na próxima corrida, dia 29 em Spa-Francorchamps, Rubens Barrichello completará a marca impressionante de 300 GPs de Fórmula 1.

Enquanto não houver o devido julgamento, nenhum comentário será feito nessa coluna em referência àquela equipe.

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THIS is ridiculous, Señor Alonso

July 26th, 2010 | 37 Comments | Filed in Fórmula-1, Fórmula-1 2010

Sem mais comentários

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A Copa vista pelo retrovisor

July 19th, 2010 | 21 Comments | Filed in Copa 2010, Futebol

África do Sul: um novo país que ainda tenta se livrar de velhos problemas

Baixada a poeira do fim da Copa do Mundo, podemos olhar para trás e perceber melhor a grandeza de tudo aquilo que aconteceu no último mês.

Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo desembarcou na África. Pela primeira vez um evento de escala global pisou naquele solo. Pela primeira vez, o mais esquecido dos continentes estava no centro das atenções de todo o planeta.

Durante o último mês, as notícias que vinham da porção de terra mais pobre da Terra não eram sobre o genocídio em Ruanda, a guerra civil de Angola, as ditaduras sanguinárias de Uganda e Zimbábue, a fome da Etiópia, os piratas da Somália, o dramático alastramento do HIV por toda a África negra ou o vergonhoso regime do apartheid da própria África do Sul. Fora alguns olhares preconceituosos que apostavam no fracasso do Mundial, o que se viu foi uma verdadeira festa de confraternização com todas as cores que simbolizam a cultura africana.

Desta vez, não era o USA for Africa a cantar com uma duvidosa piedade seu “We are the World“. Foi a Shakira – também saída do terceiro mundo, mas que faz todo o mundo desenvolvido babar por ela – quem entoou, acompanhada por tambores, que esta era a vez da África. Um convite para entrarmos em contato direto com as dores e as alegrias de um país, de vários povos e de todo o continente. E para vermos futebol.

A Jabulani, de tanta personalidade que tem, só faltava mesmo falar

A participação dos Bafana Bafana traduziu toda a trajetória de seu país. Mesmo que ainda não cantem juntos como Paul McCartney e Stevie Wonder em “Ebony and Ivory, os sul-africanos aprenderam as lições deixadas por Nelson Mandela e François Pienaar (leiam o livro, baixem e vejam o filme Invictus), mostrando que o esporte pode sim ser um fator de união para seu povo. Apesar de não terem ido muito longe, os Bafana superaram suas limitações. Embalados pelo inacreditavelmente maravilhoso e insuportável som das vuvuzelas, eles libertaram suas emoções ao marcar o primeiro gol – e o primeiro golaço – da Copa contra o México e ao lutar até o apito final pela sua classificação contra os combalidos azuis franceses.

A África também se orgulha da seleção de Gana, que igualou o resultado dos camaroneses em 1990 ao atingir as quartas, e que só foi eliminada porque os deuses – ou os demônios – do futebol resolveram dar uma pitada de drama à partida e uma “mãozinha” aos uruguaios.

Larissa e seus Riquelmes: self-marketing de enooormes proporções...

A ressurreição da Celeste Olímpica merece todo o destaque. O Uruguai é muito bem-vindo de volta ao futebol de alto nível, ainda mais por apresentar a grata surpresa – surpresa sim, porque apesar de ser um grande jogador, ninguém apostaria um tostão que ele jogaria o tanto que jogou – do bravo guerreiro Forlán. Outro sul-americano a reescrever sua história foi o Paraguai. Se não foi dessa vez que a Copa do Mundo conheceu o talento de Salvador Cabañas, os paraguaios compensaram ao mostrar ao mundo os todos os talentos de Larissa Riquelme.

A seleção da Alemanha rompeu com dois paradigmas de uma vez só. Um time cujo futebol é marcado pelo pragmatismo e classificado como “científico” foi protagonizou os momentos mais lúdicos da competição. E apesar de ser um país visto tradicionalmente como avesso a estrangeiros, apresentou uma nova geração de jovens talentosos e recheada de sobrenomes pouco ou nada germânicos, naturalizados ou filhos de imigrantes, uma representação do reconhecimento de sua própria multiculturalidade. Por sua vez, os Estados Unidos, mais afeitos ao basquete, ao beisebol e a um xará do nosso futebol, sentiram o gostinho que soccer pode proporcionar como nenhum outro esporte.

Os All Whites saíram da longínqua Nova Zelândia, terra onde reina o rugby, para sua segunda participação em um mundial. O roteiro até parece uma versão futebolística de “Jamaica abaixo de zero”, porém o time do goleiro Paston (sonho de consumo de alguns torcedores tricolores…) obteve seus três primeiros empates am Copas do Mundo e voltou para casa invicta. Entraram assim para a história como o Ameriquinha da Copa da 2010. Sem a Nova Zelândia, os esquisitões da Eslovênia herdaram parte dessa simpatia coletiva e avançaram à segunda fase nos seus uniformes à la Charlie Brown.

Destoando da empatia pública, o Stone Mick Jagger fez o papel de serial eliminator, tendo importância cientificamente comprovada nas desclassificações da Inglaterra, dos Estados Unidos e do Brasil. Dizem as más línguas que ele torceu para a Argentina também…

Outros personagens surgiram, como simpático polvo Paul, alheio a tudo que acontecia do lado de fora do seu aquário. Por muito pouco o pobre não foi parar em uma panela pelo simples crime de sucumbir à sua gula e ir buscar seu petisco, este que só podia ser alguma sacanagem do seu tratador, estava vindo dentro de caixas chatíssimas de se abrir. Menos mal que ele tornou-se o molusco favorito em toda a Espanha.

O que dizer então da campeã Espanha? Uma seleção que lutou contra seu estigma de eterna coadjuvante nas Copas, a despeito de suas várias gerações de jogadores talentosos, e que no final, conseguiu a proeza de unir catalães, bascos e madrilenhos em uma mesma vibração, sob a mesma bandeira, esquecendo pelo menos por alguns momentos de todas as diferenças.

Espontâneo e inesperado: assim é o amor

Além disso, houve beleza na redenção de Iker Casillas. O goleiraço, que seria execrado em caso de fracasso pela imprensa marrom espanhola por “perder a concentração pela proximidade de sua namorada-repórter”, levou apenas dois míseros gols em todo mundial e foi um dos grandes responsáveis por tirar a Fúria de uma fila que parecia eterna. O beijo em sua musa-entrevistadora foi ao mesmo tempo demonstração de carinho e tapa com luvas de pelica naqueles tolos que pensam que o amor atrapalha o homem. Ao contrário, o amor está sempre na moda.

Mesmo sem ter nada contra os nossos hermanos argentinos, foi melhor assim. Muito melhor do que ver o Maradona pelado.

Tivemos o privilégio de assistir a uma Copa em que a estrela principal deixou de se chamar bola; ela se chamou Jabulani, que muito convenientemente, significa “celebrar” no dialeto zulu. Presenciamos mais uma vez o esporte como a encarnação do que o ser humano tem de melhor, em todos os ângulos, câmeras, imagens em super-slow. Por cada grito de vitória, por cada choro, por cada dança de comemoração e por cada olhar perdido na derrota, bendita seja a celebração do futebol.

E bendita seja a África. O continente é o berço da humanidade e merece entrar de vez no nosso mapa-mundi, não apenas como cenário de safáris e fornecedor de diamantes de sangue. A África é a morada de gente que ri, chora e sente como nós, mas que sofre de privações das quais não temos a menor ideia, tantos foram os séculos de exploração e de abandono a que foram submetidos. Que a partir de agora, aprendamos a enxergar a África como uma parte  do nosso mundo e de nós mesmos.

Paul agora quer férias no Caribe e só pretende voltar a trabalhar em 2014. Nenhum polvo foi prejudicado durante a produção deste post.

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“Not bad for a #2 driver”

July 13th, 2010 | 15 Comments | Filed in Fórmula-1, Fórmula-1 2010

Mark ao fim da classificação: A asa é minha, ele quebrou a dele... snif...

A Fórmula 1 era o segundo evento mais importante do domingo, mas valeu a pena deixar a arrumação do churrasco para depois da bandeirada. A inauguração do novo traçado de Silverstone foi disputado e incluiu episódios dignos de Caim e Abel. Tudo começou quando no sábado, a direção da melhor equipe do ano resolveu o destino de uma mera peça aerodinâmica. A guerra de palavras extrapolou a pista e só terminou no fim da corrida.

O título acima é o epitáfio definitivo da paz na Red Bull. Não adianta dizer que novamente os pilotos fizeram as pazes ou que cantaram juntos “American Pie” em um videokê na casa do chefe. Mark Webber proferiu a pérola que externou sua insatisfação por ter sido tratado da forma que, teoricamente, seria a sua condição. Porém, a boa forma na pista e a eficiente tática de desequilibrar seu parceiro fora dela credencia o australiano a aspirar ao título, apesar de a briga interna dos touros vermelhos cair como uma luva mesmo para a McLaren. Parabéns pela vitória, Webber. Se o critério for o mesmo, na Alemanha a asa dianteira mais bonita será sua, com mérito.

Isso porque Sebastian Vettel não leu a cartilha de Nelson Piquet (pai): “não se ganha uma corrida na primeira volta, mas pode-se perder tudo nela”. O alemãozinho foi superado na largada pelo seu rival Webber e se afobou, tendo sido tocado por Lewis Hamilton e ficado para trás com um pneu furado. Sua boa corrida de recuperação o colocou em sétimo e ele até deu show. Em termos de campeonato isso infelizmente não funciona, e ele trocou seus 12 pontos de vantagem para Webber por 7 de desvantagem.

A atuação dos oito primeiros colocados foi primorosa, todos eles. Adiantemos logo que o nono foi Michael Schumacher, que cada vez mais parece não falar o mesmo alemão da sua Mercedes… mais complicado foi ainda ter que ver Nico Rosberg chegar em terceiro, com um carro igual ao dele. Hamilton arriscou e petiscou o segundo lugar ao sair ileso do toque que deu em Vettel, além de manter a liderança do campeonato. Jenson Button superou brilhantemente os problemas da classificação e subiu de 13º para o quarto lugar, não deixando assim seu companheiro de equipe se distanciar demais na tabela.

Barrichello rendendo frutos na Williams

Para Rubens Barrichello, sua quinta posição foi a confirmação de que o resultado obtido em Valência não fora por acaso. A equipe de Grove cresce a olhos vistos e já se fala com certa tranquilidade de que o brasileiro ficará por lá para sua 19ª temporada na F1. O time deu um voto de confiança para a evolução da Cosworth e renovou o contrato de fornecimento de motores para 2011, e Barrichello já crê que poderá voltar a vencer no próximo ano. A conferir. Depois da ressurreição com a Brawn no ano passado e com a conhecida capacidade de Frank & seus Williams de se reinventar ao longo dos anos, 2011 promete para a dobradinha.

Kamui Kobayashi foi sexto, pontuou pela terceira vez em quatro GPs e vai lavando a honra da BMW-Sauber. Adrian Sutil, oitavo, leva para casa a lembrança do dia em que ultrapassou na pista o seu ídolo Schumacher.

Para Alonso, a grama virou pista

Um verdadeiro inferno astral se abateu sobre os pilotos espanhóis, apesar de mesmo assim eles terem rido por último por causa de um tal don Andrés Iniesta. Pedro de la Rosa e Jaime Alguersuari ficaram pelo caminho, enquanto Fernando Alonso dessa vez, fez por merecer uma punição. O bicampeão ultrapassou Robert Kubica com as quatro rodas fora da pista, claramente cortando caminho. A Ferrari não orientou o piloto a devolver a posição ao polonês, que abandonou logo em seguida. Resultado: drive-through e um abraço. Aliás, falou Alonso, lembrou Ferrari. Felipe Massa sofreu de fogo “amigo” (com aspas mesmo…) bateu rodas com o asturiano e levou um toque no pneu traseiro. O brasileiro não encontrou mais o caminho, tendo mais um GP para esquecer. No final, falou muito no escutador de jazz do parceiro. Eles só chegaram à frente das nanicas. Ferrari = zero ponto. Crise na casa do Comendador!!!!

Se nessa corrida ninguém viu Bruno Senna passar, foi porque ele não passou mesmo. As más línguas dizem que ele falou mal do carro por email, e sem querer enviou em cópia para o mandachuva da Hispania, uma víbora chamada Colin Kolles. SUDERJ informa: sai Senna, entra Sakon Yamamoto. Não era nem necessário dizer que a participação do japa não fez a menor diferença. Atitude feia sim, pois enquanto o novato caminhava ao lado de Karun Chandhok fazendo o reconhecimento da pista, o golpe era anunciado na sala de imprensa. O problema é que a defesa alegada pela imprensa brasileira – que nunca sentiu qualquer piedade de outras vítimas de rasteiras de timecos na F1 como Magnussens, Albers, Ides, Mazzacannes da vida – passou mais pela veia marqueteira, aquele velho papo de “logo no GP em que o tio rebatizou de ‘Silvastone’…”. Transparece o real motivo da presença dele na categoria.

Engraçado ele não se mancar do mico que está pagando na equipe que é a Andrea Moda do século XXI. Quer pilotar? A família deve ter dinheiro para colocá-lo em um carro decente. Ou então que se assuma bon vivant e vá passar seus dias na farra. Ou quem sabe, fazer uma dupla com o Jonas Brother Mario Moraes na Indy…

A próxima corrida é na casa do Vettel. E se o garoto ainda quer ser campeão, melhor açoar o nariz e botar para quebrar, porque a casa está caindo para ele.

Hamilton 145; Button 133; Webber 128; Vettel 121; Alonso 98.

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Vettel vence um GP chato e polêmico

July 1st, 2010 | 6 Comments | Filed in Fórmula-1, Fórmula-1 2010

Alguém por acaso viu carros passando???

Se a Fórmula 1 com toda a sua empáfia realmente deseja fazer frente à Copa do Mundo, será melhor se esforçar mais. Sobre o GP da Europa não há muito o que falar, pois a pista de rua sem muros e repletas de áreas de escape montada nas ruas de Valência fazem os entornos muito mais interessantes do que a competição em si.

O moleque travesso de volta ao topo

Sebastian Vettel largou na pole-position – o que não fazia desde o GP da China – e conseguiu superar a todos os adversários sem cometer muitos erros – isso então, desde o GP da Malásia. Ele certamente tirou um peso absurdo das costas, voltou a subir na classificação do campeonato e a ganhar confiança para a sequência.

Completaram o pódio, para variar, os pilotos da McLaren. Frio e calculista, Jenson Button se recuperou de uma posição de largada ruim e no final lá estava ele em terceiro. Lewis Hamilton mais uma vez utilizou de recursos pouco ortodoxos, já que ele ultrapassou o safety-car numa manobra totalmente ilegal e só foi punido vinte voltas mais tarde com um drive-through. Àquela altura ele já havia conseguido vantagem para voltar na mesma segunda posição que estava e onde recebeu a bandeirada.

A demora na punição do Robinho da F1 causou chiliques homéricos vindos lá do box vermelho. Fernando Alonso ficou revoltado e teve que se contentar com o modesto sétimo lugar – a despeito da sensível evolução do F10. Felipe Massa atualmente é um misto de Charlie Brown com a hiena Hardy, ou seja: sofrendo e chorando. Nem vale a pena dizer sua classificação final.

O cara da corrida foi o nosso herói Kamui “Jaspion” Kobayashi. O japinha andou eternamente em terceiro lugar por ter adiado sua troca de pneus, apenas realizada no finzinho da corrida. Ao voltar em sétimo com pneus novinhos em folha, levou a torcida ao delírio ao ultrapassar dois carros com as borrachas gastas, inclusive o mal-humorado dono da casa Alonso (o espanhol teve que dormir com mais essa…) conquistando assim um lindo quinto lugar para a sofrida BMW-Sauber.

Barrichello conseguiu a proeza de chegar à frente de Robert Kubica

Felizes e faceiros ficaram também os membros da Williams. Com novas asas traseiras – as dianteiras estrearam no Canadá – a equipe colocou seus dois carros no Q3, desbancando numa só tacada Mercedes e Force India, frequentadoras assíduas da última fase do treino. Apesar de ter largado atrás de Nico Hülkenberg após terem registrado rigorosamente o mesmo tempo no Q3, na corrida, Rubens Barrichello foi mais astuto do que seu companheiro. Desfilou sua experiência e levou seu carrinho à quarta posição, mantida mesmo tendo sido o brasileiro um dos oito pilotos punidos por exceder a velocidade em bandeira amarela durante o caos que reinou durante o SC.

Michael Schumacher passou por maus bocados, para variar. Simplesmente obteve a sua pior classificação na vida, com o 15º lugar. Ainda foi obrigado a esperar que um bizarro sinal vermelho na saída dos boxes o permitisse voltar à pista.

No fim das contas, a única coisa pela qual essa nada memorável corrida será lembrada é pela marca alcançada pela Lotus paraguaia malaia. O time chegou ao seu nono GP, que foram somados aos 491 da Lotus de verdade e serviram de motivo para aparecer um “500″ na carenagem do carro verde, clara provocação à Ferrari e seus 800 GPs completados na Turquia. A comemoração do time – que profana a história da categoria e emprega dois dos pilotos mais inúteis da mesma história – foi bem ao estilo de seus chefes. Tony Fernandes e Mike Gascoyne gostam muito de dar declarações e chamar atenção fora da pista, mas dessa vez, a fanfarronice por pouco não teve sérias consequências dentro dela. Somente por estar na mesma volta dos líderes (porque ainda apenas a décima volta), Heikki Kovalainen achou que deveria “defender a posição” contra Mark Webber, quando este buscava uma corrida de recuperação. Além de mudar de trajetória, o finlandês cometeu a atrocidade de frear seu carro em plena reta (muito antes do ponto natural de frenagem) e o resultado foi o voo da Red Bull do australiano, que deve agradecer muito a papai do céu e aos caras que construíram seu bólido por ter escapado sem lesões.

28 anos atrás, só sobraria isso.

Vamos lembrar que 28 anos atrás um cara chamado Gilles Villeneuve deixou o mundo em um acidente muito parecido, com a diferença de que naquele treino em Zolder, o pobre Jochen Mass, piloto do carro abalroado por trás pelo ensandescido canadense, ainda tentou inutilmente sair da frente da Ferrari. Para o idiota finlandês e seu patrões: “seria fantástico se o segurássemos por trinta voltas” e assim exibir seus patrocinadores na TV. Afinal, é melhor estragar a campanha de alguém que luta pelo título do que construir um carro decente e disputá-lo. Se essa mesma gangue sugeriu o fim das bandeiras azuis, pode-se concluir que não têm qualquer sombra de seriedade.

Ainda há quem diga que “Kovalainen é o melhor das estreantes”. Infelizmente, isso não significa absolutamente nada. Melhor que eles façam uma preliminar da F1. Melhor um grid com 18 carros do que ver carros aleijados com mania de grandeza a estragar o show.

Depois da campanha “cala a boca, Galvão”, um dia há de se lançar “isso não merecia se chamar Lotus”.

Fora da pista, a novidade é a confirmação da Pirelli como a nova fornecedora de pneus a partir de 2011. Eles podem comprar um carro da finada Toyota para realizar os testes conduzidos por… Kimi Räikkönen!!!! A confirmar.

A próxima corrida é no dia da final da Copa do Mundo no dia 11, na terra da Rainha Elisabeth II, Wayne Rooney, Frank Lampard, Steven Gerrard e do fura-olho John Terry. Como estão devidamente eliminados, todos poderão assistir ao GP da Inglaterra tomando tranquilamente seu chá.

Acho que vi um carrinho...

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A mijada de Dunga

June 24th, 2010 | 15 Comments | Filed in Copa 2010, Copa do Mundo, Futebol

Para a Rede Globo, este é o Ahmadinejad da seleção brasileira

Seja ou não HOAX, acabei de receber por email a mensagem que segue e fico aqui pensando com meus botões se os episódios relatados não seriam bastante factíveis. Mandei ctrl+c, ctrl+v e está aí.

Será??

Vejam Dunga dando uma de João Saldanha em cima da TV Globo

O Jornal O Globo em sua primeira página da edição de hoje, quarta-feira 16 de junho de 2010, desce a lenha na seleção e principalmente no seu treinador. Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento ? Vamos aos fatos : Segunda-feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra a Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do Sul.
Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem, iluminação etc. Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a dominadora esposa do chefão William Bonner sentenciou : “ Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo, com o treinador e alguns jogadores…” Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso, como convém a uma pessoa da sua formação. “ Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de “REPORTAGEM EXCLUSIVA” para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV ou não fala pra nenhuma…” Brilhante !!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro peitava publicamente a Vênus Platinada !!! “ Mas… prosseguiu dona Fátima – esse acordo foi feito ontem entre o Renato ( Maurício Prado, chefe de redação de Esportes de O Globo ) e o Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria”. “ Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo ( Teixeira ) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!” O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e saiu sem ao menos se despedir. Dunga pode até perder a Copa , seu time pode até tomar uma goleada, mas sua atitude passa à história como um exemplo de coragem e independência.
Dunga, simplesmente, mijou na Vênus Platinada ! Uma estátua para ele !!!

Dunga II – O tsunami na Rede Globo

Quem presenciou na noite de domingo o editorial do programa “Fantástico” da rede Globo, lido pelo repórter Tadeu Schmidt, há de ter compreendido todo o desespero que se apossou da “Vênus Platinada”, em relação ao técnico da seleção brasileira. Chamando-o de “grosseiro, mal educado” e outros mimos a mais, a poderosa estação do Jardim Botânico viu pela primeira vez em mais de 40 anos, um brasileiro desafiar seu domínio, e literalmente mijar na sua cabeça. Recordando os fatos mais recentes, inconformado com a proibição das tais “entrevistas exclusivas” que só seriam concedidas à Globo, na sexta feira o Assessor de Imprensa da CBF levou ao técnico Dunga outro memorandum, dessa vez do próprio Presidente Ricardo Teixeira, solicitando que se ordenasse a abertura para que as tais “exclusivas” fossem concedidas. Dunga então rasgou o memorandum na frente do Assessor de Imprensa e como a reclamação vinha diretamente por ordem da Todo-Poderosa Sra. Fátima Bernardes, Prima Dona do jornalismo televisivo, Dunga foi mais uma vez taxativo: – Diz pro Ricardo que se é o que ele deseja, que coloque essa senhora como treinadora da seleção, eu entrego meu cargo” !!!! Lógico que o técnico permaneceu. Dona Fátima então, sentindo-se “desprestigiada”, alegou um problema de “cordas vocais” e quase que tomou o primeiro avião, de volta ao Brasil. Na entrevista coletiva, após o jogo contra a Costa do Marfim, Dunga então resolveu “premiar” os repórteres da rede Globo que lá se encontravam. Pela leitura labial ficou fácil identificar que ele chamou Marcos Uchoa de “chato” e Alex Escobar de “babaca” e “cagão” E disse tudo. O sr. Marcos Uchoa com aquela cara de diarréia reprimida é realmente um chato de galochas, e o sr. Alex Escobar, metido a engraçadinho e a bobo da corte, é a própria imagem do babaca cagão. Em razão disso tudo que foi descrito, o sr. William Bonner, absolutamente descontrolado, escreveu do próprio punho o editorial ridículo que foi lido no Fantástico. Agora à tarde chega a notícia publicada no Portal do Lancenet que a FIFA punirá Dunga pelos fatos ocorridos. A rede Globo certamente está por detrás dessa punição covarde e canalha. Dunga merece uma estátua em praça pública. É o primeiro brasileiro vivo a desafiar publicamente a força e o poderio da rede Globo, numa competição de cunho internacional. Leonel Brizola já o fizera antes, mas em assuntos de política interna. A seleção brasileira de 2010, muito mais que uma seleção, passa a ser o retrato fiel de seu treinador. Que o seu sucesso seja um insulto à podridão que reina nas hostes da emissora do Jardim Botânico.
Dunga mijou na rede Globo por todos nós.

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A McLaren dita nova ordem no Canadá

June 17th, 2010 | 3 Comments | Filed in Fórmula-1, Fórmula-1 2010

Boa corrida, bela vitória, mas a pole ainda não desceu

Fórmula 1 em tempos de Copa não faz o menor Ibope. Ainda assim, encontraram um buraco na programação das TVs no mundo para encaixarem entrea pelada de Argélia e Eslovênia e a blitzkrieg da Alemanha para cima da Austrália. Se todos esperavam outro passeio da dupla da Red Bull pelo Circuito Gilles Villeneuve após o trágico fratricídio ocorrido na Turquia, a McLaren provou que estávamos redondamente enganados. Apesar da vista grossa com a “tática do migué” empregada para conquistar a pole-position no sábado, quando Lewis Hamilton andou com tão pouco combustível que ele teve que desligar o carro na volta de retorno aos boxes para sobrar o litro de gasolina obrigatório no tanque para aferição ao fim das corridas e treinos. E foi assim começou.

A estratégia adotada pela equipe taurina, que utilizou em seus carros os pneus mais duros para classificação e largada, mostrou-se ineficiente. Sebastian Vettel novamente enfrentou problemas para chegar ao fim da corrida. Mark Webber – de contrato já renovado até o fim de 2011, provando que o episódio turco foi superado – ainda liderou, mas a queda drástica de rendimento deixou claro que sequer chegaria ao pódio. Como consequência, a dobradinha da McLaren deixou a dupla da equipe britânica na frente do campeonato.

Schumacher foi a chicane móvel e achou tudo muito engraçado

Fernando Alonso se esforça para fazer a Ferrari reagir. Ele até poderia ter sido segundo se não tivesse se embananado na ultrapassagem de um retardatário, oferecendo uma oportunidade perfeita para que Button desse o bote. Mas a sua terceira posição na corrida e o quarto lugar no campeonato mascaram a decepção com o F10, muito badalado na pré-temporada e cuja evolução deixa a desejar. As nuvens negras estão sobre Felipe Massa (outro de contrato renovado, este até 2012). O piloto brasileiro teve sua pintura estragada e seus aerofólios quebrados em diversas oportunidades. Sua recuperação até ia bem, quando uma fechada de Michael Schumacher na disputa pela módica nona posição acabou com a corrida do brasileiro. Ele foi obrigado a mais uma parada, e ironicamente, recebeu um acréscimo de 20 segundos em seu tempo final por ter excedido a velocidade no pitlane, enquanto o seu tutor de queixo avantajado não teve sanções por sua manobra, no mínimo, desastrada.

O algoz de Rubens Barrichello desta vez se chamou Jaime Alguersuari, que em mais um dos infinitos incidentes dessa edição da corrida canadense causou um problema nos freios do brasileiro após um toque não captado pelas câmeras. Tudo que deu para conseguir foi o 14º lugar, um à frente de Massa e logo atrás de Nico Hülkenberg. Já é comentado que Barrichello seguirá em 2011 no time de Frank Williams.

Uma estrelinha vai para o suíço Sébastien Buemi. O representante da Toro Rosso marcou seu melhor resultado esse ano (oitavo) depois de um passadão sensacional sobre o problemático Mercedes de Schumacher. Se parece pouco, Massa não conseguiu esse objetivo voltas depois. Os ares canadenses fizeram bem ao rapaz, que depois de ser duramente criticado pela cúpula do time, ao fim do GP já era cogitado como sucessor de Webber na equipe matriz dos energéticos, seguindo o caminho das pedras de Vettel e fazendo dupla com o próprio.

A equipe que no meio do ano letivo já apresenta sinais de que vai ficar de recuperação é a BMW-Sauber. O time ainda sofre com problemas em seus propulsores fornecidos pela Ferrari, desta vez com Pedro de la Rosa, apesar de Maranello já tê-los resolvido em seus carros. Kamui Kobayashi foi pífio, destruiu o carro na primeira volta e deve ter levado uma ensaboada do patrão Peter Sauber. O cartola helvético conhecidamente odeia esse tipo de prejuízo.

Os olhos arregalados de Kimi

Fora das pistas, o que vem agitando a F1 é a demora da FIA em anúncios importantes: o resultado do “vestibular” no qual uma nova equipe dentre as candidatas entrará para o clubinho em 2011 (esperamos que não seja outra falcatrua como a USF1, tampouco outro HOAX como a Lotus paraguaia malaia); e principalmente, qual será o fornecedor de pneus para a próxima temporada, uma vez que a Bridgestone abandona o circo ao fim do ano. À boca pequena fala-se na vitória da Pirelli. A Michellin deverá ser preterida por causa da sua posição de não querer exclusividade, o que desportivamente seria mais interessante. Porém, como o mantra da redução de custos ainda soa na Place de la Concorde (onde fica a sede da FIA), a possibilidade já está virtualmente afastada.

Outro assunto quente é a possível volta do campeão de 2007 Kimi Räikkönen. O monossilábico finlandês passa suas férias andando no Mundial de Rali pela Red Bull, mas como a dupla do time na F1 já foi confirmada, seu nome agora é cotado para a Renault.

No campeonato, apenas 15 pontos separam o líder do quarto colocado: Hamilton,109; Button, 106; Webber, 103; Alonso, 94. Logo depois vem Vettel com 90 pontos. Os cinco protagonizarão a disputa pelo título. Está bom ou quer mais?

A próxima corrida é o GP da Europa em Valência, dia em que segundo a minha aposta no Bolão Blablagol, se enfrentarão Argentina e Uruguai pelas oitavas de final.

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Por que simpatizei com a seleção da Coreia do Norte?

June 16th, 2010 | 43 Comments | Filed in Copa 2010, Copa do Mundo, Futebol

Isso mesmo. Não é que fui com a cara deles?? Óbvio que não consegui decorar o nome de ninguém, nem ao menos notei qualquer diferença física entre zagueiros, meiocampistas e atacantes, mas esses vermelhinhos me cativaram. Sendo a pior seleção do Ranking da FIFA (aquele que ninguém entende os critérios, sabe?) a se classificar para a Copa e tendo uma equipe da qual se conhece menos do que formas de vida em Marte, as formiguinhas que vieram de cima do paralelo  38 jogaram dignamente como um time pequeno e fizeram o Brasil de Dunga ter que sair da casinha para levar a vitória.

Desde o hino, o momento solene de expressão do patriotismo, o comovente choro daquele que é conhecido como o “Rooney asiático” já demonstrou a emoção do que é para um jogador sair de um anacrônico regime pseudo-comunista-fascista e entrar em campo em uma Copa do Mundo, o ápice da carreira de um atleta de futebol. Na partida, aqueles coreanos se desdobravam em dezenas de chapolins colorados para bloquear as investidas do time de cinco estrelas, com aplicação tática, raça e principalmente: lealdade. A despeito de sua inferioridade técnica, em nenhum momento eles apelaram para o taekwondo.

Mesmo com tanto suor, o time asiático foi castigado por um impiedoso lateral brasileiro. Um chute inesperado venceu o goleiro coreano, que não conseguiu esconder o seu abatimento. De totalmente defensivos, os bravos guerreiros do oriente tentaram ir para cima do Brasil, uma insolência que não ficou sem resposta. O segundo gol brasileiro pareceu esvair o sonho de igualarem a proeza dos idos de 1966, quando bateram nada menos que a Squadra Azzurra.

Felizmente, todo o esforço não ficou sem recompensa. Um daqueles dos olhinhos puxados mais insólito impediu que o goleiro brasileiro voltasse ao vestiário com o uniforme limpinho e invicto. Como no momento do hino, coreanos explodem de emoção. Comemoração verdadeira, legítima, resultado da luta insistente de um time muito feinho, é verdade, mas muito afetuoso e focado em seus modestos objetivos.

Ainda mais nessa Copa, que vem se arrastando mais sonolenta do que a Copa da Madruga em 2002, se desenhando como a “Copa das Peladas” (no sentido futebolístico, é claro…). Se não há em campo a categoria que gostaríamos de ver, que pelo menos possamos ver jogos onde os homens se equivalem, não importando o país onde vivem ou o salário que ganham em seus clubes. O que importa e o que decide é o que se mostra em campo, e nada é decidido antes do apito final (que dirá ainda do apito inicial…).

Apesar de ter sido uma derrota extremamente honrosa, a população da Coreia do Norte não pôde assistir ao vivo à atuação de sua seleção. Lá vive um louco ditador, que resolveu que apenas ele assistiria e decidiria se o time ” representou bem o seu país” para que então o povo possa ver a partida em VT.

Pobres coreanos do Norte. Sob o domínio do louco ditador que faz de tudo para levá-los à guerra, eles se submetem à situação de ter de esperar pela decisão arbitrária desse cara para poderem desfrutar de algum entretenimento, a maior razão de ser do futebol, para conferir a coragem e a desportividade de seus atletas frente a um adversário anos-luz à sua frente em técnica e tradição, e que mesmo assim para derrotá-los, tal adversário teria que jogar também ele com o próprio coração.

A seleção da Coreia do Norte provou que, mesmo com seus loucos ditadores, todo povo tem seus valores. Seus jogadores mostraram que através do esporte, podemos enxergar a diferença entre as nações e ainda assim aprender a respeitá-las. Apesar dos loucos ditadores.

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O drama pré-Copa

June 5th, 2010 | 27 Comments | Filed in Copa 2010, Copa do Mundo, Futebol

O que está bombando mesmo na Copa é o Departamento Médico

Às vésperas da abertura de cada Copa do Mundo,  uma maldição parece rondar grandes jogadores de importantes seleções. A Copa da África não poderia ser diferente. e já não veríamos em campo jogadores como Michael Ballack na Alemanha, David Beckham na Inglaterra, Michael Essien em Gana, Lassana Diarra (vítima de uma inacreditável diarreia)  na França, Salvador Cabañas no Paraguai.

Diversos jogadores passaram por momentos de angústia e quase não se apresentaram em condições de jogo, como Kaká, Lionel Messi, Wayne Rooney, Cesc Fàbregas e Andrés Iniesta da seleção espanhola, onde inclusive a presença de Fernando Torres ainda está ameaçada.

Na reta final da preparação, o Mundial ganhou sérios (ou no mínimo potenciais) desfalques com as lesões inesperadas de Rio Ferdinand, capitão do English Team; Didier Drogba, principal atração da Costa do Marfim, adversária do Brasil; Andrea Pirlo, o volante-maestro da Itália; John Obi Mikel, nigeriando jogador do Chelsea (coincidência ou não, time onde jogam também Ballack, Essien e Drogba); e de úlima hora o holandês Arjen Robben, que se contundiu no último amistoso antes do embarque para a África do Sul, não viajará junto com os demais jogadores e é dúvida.

No Brasil, Júlio César vem sendo poupado das atividades e Michel Bastos nesse momento reza para não repetir o drama vivido por Émerson em 2002 e Edmílson em 2006.

Pelo bem do futebol, vamos torcer para que a bruxa dê um tempo para que mais artistas da bola não acabem assistindo ao espetáculo da Copa pela TV. Ou mesmo se apresentando fora de suas melhores condições.

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