Era uma vez um motor Ferrari
agosto 5th, 2008 | 11 Comments | Filed in Fórmula-1
Felipe Massa fez uma corrida ao seu estilo. Mostrou o velho arrojo na largada, ignorando totalmente a Heikki Kovalainen e superando a Lewis Hamilton numa manobra daquelas que se dá errado, todo mundo o crucificaria, como no início do ano. Não apenas deu certo, como também foi quase tão espetacular quanto o drible de Piquet (pai) sobre Senna (tio), na mesma pista e na mesma curva, em 1986. Piquet X Senna Hungaroring 1986.
O brasileiro foi perfeito, controlando Hamilton à distância, e se na corrida já estava tudo bem, no campeonato ficaria ainda melhor. O inglês teve um pneu furado e até então, a liderança do campeonato estava nas mãos de Massa. Até faltarem três míseras voltinhas. Aí o propulsor da Ferrari de número 2 virou fumaça na entrada da reta.
Melancólico. Ainda por cima estragou o meu comentário, que àquela altura, já estava todo a minha cabeça.
A partir daí, os finlandeses se deram bem. Kovalainen, burocrático, sem o menor brilho além do fato de ter conseguido o segundo lugar no grid, herdou a segunda posição com o problema de Hamilton, e com o abandono de Massa, chegou à sua primeira vitória. Já Räikkönen, autista durante todo o fim de semana, só conseguiu ultrapassar Alonso nos boxes. Viu cair seis pontos no colo, e o que é mais impressionante, mesmo sem fazer a menor sombra à performance de Felipe Massa, ele tomou a segunda posição na tabela que era do brasileiro.
Foi assim. Os protagonistas tiveram lá seus problemas, e os “segundos pilotos” vindos da terra do Papai Noel levaram a rapadura. Só não foi mais sem graça porque Timo Glock, recuperado do forte acidente em Hockenheim, voltou com toda força e depois de colaborar decisivamente como primeiro pódio de Nelsinho Piquet, o destino o ressarciu com um belo segundo lugar. Como prêmio, já garantiu sua vaguinha na Toyota para 2009.
Piquet, por sua vez, teve uma prova honesta, e por muito pouco sua estratégia de largar mais pesado não o fez voltar do primeiro pitstop à frente de Alonso e Räikkönen. Está ganhando confiança, e principalmente, respeito.
Barrichello fez uma largada milagrosa, ganhando quatro posições. Mas no box, viu tudo a coisa esquentar com um princípio de incêndio no seu Honda. Coincidência ou não, Glock, Nakajima e Bourdais (duas vezes!!!) também saíram chamuscados dos seus reabastecimentos. Grande demonstração da segurança dos carros de hoje. Na década de oitenta, fogo era um verdadeiro pesadelo. Agora, os pilotos ficam totalmente calmos, dá até a impressão de que eles nem percebem o que se passa. Seguro ou não, o problema carece de explicação e solução.
Ausente nos últimos comentários é o Kubica. Muito abaixo do que vinha apresentando, somou apenas um ponto pelo oitavo lugar. Não à toa, a McLaren acaba de superar a BMW-Sauber no campeonato de construtores. Os prateados agora só estão atrás da Ferrari.
E são os italianos que agora têm uma escolha de Sofia pela frente. Massa apresenta muito mais combatividade nas corridas e um aproveitamento incomparável nas classificações, em relação a Räikkönen. Porém, é o campeão que está na frente na tabela. São setenta pontos em jogo. Os rivais já apresentaram seu trunfo. A Ferrari parece já ter reagido aos maus resultados. Falta decidir quem será o desafiante de Lewis Hamilton.
Agora, férias. Daqui a três semanas, GP da Europa e a estréia do circuito de rua de Valência (Espanha).






“Tá triste, papai? Vou rezar para chover…”
Kubica? Button? Piquet? Fisichella? Sutil? Vettel? Coulthard?







A Renault olhou para o céu e contrariou a previsão do tempo oficial, que afirmava que a chuva voltaria. Chamou seus pilotos e devolveu-os à pista calçados com pneus para seco, com a pista ainda úmida. Fernando Alonso (que alternou bons e maus momentos, fazendo ultrapassagens arrojadas, mas num toque em Nick Heidfeld, provocou um engarrafamento na Loews), perde o rumo, reequilibrou e seguiu. Já Nelsinho Piquet fazia uma corrida boa, cautelosa, mas na volta de saída dos pits escorregou duas vezes, e na segunda, bateu na Saint Devote. Não teve a manha de manter o carro na pista até que a condição melhorasse. Ficou torcendo para acontecer com mais alguém, para que a culpa pudesse recair sobre a equipe. Mas àquela altura, todo mundo estava colocando o mesmo tipo de pneu, e ninguém mais rodou. Já estou realmente ficando pessimista com a situação dele. Não sei até quando vai agüentar a pressão.
Adrian Sutil, fazia a corrida de sua vida e levava seu modesto Force India na quarta posição, quando foi abalroado por Räikkönen. Apesar de eu ter tido a clara impressão de que ele vinha perdendo o carro no instante anterior ao choque. Consegui rever a cena algumas vezes. Mas como o erro que eu aponto pudesse não ter conseqüências tão graves, o culpado fica mesmo Kimi.
Mark Webber, o campeão da minha antipatia, chegou em quarto e marcou todos os quinze pontos da Red Bull no campeonato. Bem decente. Está queimando minha língua.

Rubens Barrichello agora é o piloto que mais disputou corridas na F1. Teve bolo, foto, capacete e pintura comemorativos. E a festa acabou em ressaca, com um carro muito lento nas retas e numa estratégia de apenas um pitstop. no fim, um decepcionante décimo-quarto lugar, três posições atrás de Jenson Button, também da Honda. E falando na montadora japonesa, essa semana foi anunciado o óbito da Super Aguri (Stupid Aguri, segundo David Coulthard). Nada mais previsível. Após dois anos de atividade, a Honda fechou a torneira da filial, criada (extra-oficialmente) para empregar o ídolo nipônico Takuma Sato. Isso não aconteceria se a equipe principal estivesse na crista da onda, mas ficou claro na decisão que a Honda A não queria uma concorrente quando decidiu apoiar a entrada do timinho no campeonato. Assim, todos os recursos disponíveis serão aplicados para tirar Button e Barrichello do limbo. Se bem que a central paddock de boatos já coloca o nome de Taku-San no lugar do brasileiro. Será?




Coulthard??? Bateu de novo, amigo. E quem pagou o pato foi Jenson Button, que ficou de fora. O escocês chegou ao final em décimo-sétimo, com o carro todo torto. Seu parceiro de Red Bull, Marketing Webber foi sétimo de novo, e vai catando seus pontinhos.