O problema está lá na cabeça
agosto 26th, 2008 | 3 Comments | Filed in Fórmula-1A Fórmula 1 se reuniu novamente esse ano numa Espanha emocionalmente fragilizada pela tragédia em Madrid, no aeroporto de Barajas. Além dos sentimentos às famílias das vítimas, nada muito a se falar do GP de estréia na pista de Valência. Sim, uma bela cidade, que eu realmente não ficaria chateado de viver por lá. E um traçado de rua que até parecia bastante atraente. Mas a corrida foi das mais monótonas da temporada.
De positivo, a volta de Robert Kubica ao pódio com sua BMW. E novamente, bom desempenho das Toyota, com Jarno Trulli em quinto e Timo Glock em sétimo. Também destaque a superação de Lewis Hamilton - com um forte resfriado e uma dolorida torcicolo - fez o que pôde para chegar em segundo e manter uma distância segura no campeonato para Felipe Massa. O brazuca fez o hat trick e retomou a vice-liderança do campeonato.
De negativo, a Honda. Quando não têm problemas de velocidade em reta (ou a falta dela), os japoneses inovam no carro de Rubens Barrichello com o F1 sem-freio. Ainda no Japão: medalha de lata para Kazuki Nakajima, que cometendo a proeza de tirar o anfitrião Fernando Alonso na primeira volta, frustrou a torcida local. E a Ferrari não passou ilesa por causa da vitória. A equipe, incrivelmente ainda líder entre os construtores, substituiu o tradicional ”pirulito” - aquela ‘pá’ que o mecânico usa para segurar o piloto durante o serviço dos boxes e liberá-lo, erguendo o instrumento ao término - por mais uma luzinha no volante. Quase enrolou a vida de Massa (foi liberado antes da hora e quase bateu com Adrian Sutil no pitlane) e piorou quando Kimi Räikkönen saiu antes de ser liberado, carregou a mangueira de abastecimento e um mecânico, que quebrou o pé.
A corrida do finlandês deveria ter terminado ali. Porque ao voltar a pista, a Scuderia pagou mais um mico ao ver a usina do carro número 1 explodir como com Massa na Hungria, novamente na reta dos boxes. Três semanas passaram e a equipe não foi capaz de sanar o problema de confiabilidade. São tão recorrentes os erros da Ferrari no ano que cada vez mais parece que os problemas estão no comando. O mesmo comando que num momento crucial, entrando no terço final da temporada, ao invés de apostar em um Felipe Massa que demonstra ser o piloto mais rápido do ano, fica na dúvida e ainda crê - segundo seu diretor-técnico - na recuperação daquele que está o mais broxa da temporada, Kimi Räikkönen.
Stefano Domenicali não parece estar muito confortável na cadeira que um dia foi de Jean Todt. É grave a incapacidade do time de fazer as coisas funcionarem com a perfeição de outros tempos. Não menos importante é a falta de poder na hora de tomar decisões. E que ninguém pense que uma derrota em 2008 não irá direto para a conta de Domenicali.
Ou faz-se a opção agora, ou a Ferrari cometerá o mesmo erro da McLaren no ano passado, que culminou com a perda do título. Faltam seis corridas e os vermelhos têm o melhor carro. Mas a equipe ainda pode sucumbir à sua própria incompetência. As fichas de Ron Dennis todos sabemos onde estão desde a primeira corrida do ano. Já as da Ferrari…
No nosso Dia da Independência, GP da Bélgica.










“Tá triste, papai? Vou rezar para chover…”
Kubica? Button? Piquet? Fisichella? Sutil? Vettel? Coulthard?







A Renault olhou para o céu e contrariou a previsão do tempo oficial, que afirmava que a chuva voltaria. Chamou seus pilotos e devolveu-os à pista calçados com pneus para seco, com a pista ainda úmida. Fernando Alonso (que alternou bons e maus momentos, fazendo ultrapassagens arrojadas, mas num toque em Nick Heidfeld, provocou um engarrafamento na Loews), perde o rumo, reequilibrou e seguiu. Já Nelsinho Piquet fazia uma corrida boa, cautelosa, mas na volta de saída dos pits escorregou duas vezes, e na segunda, bateu na Saint Devote. Não teve a manha de manter o carro na pista até que a condição melhorasse. Ficou torcendo para acontecer com mais alguém, para que a culpa pudesse recair sobre a equipe. Mas àquela altura, todo mundo estava colocando o mesmo tipo de pneu, e ninguém mais rodou. Já estou realmente ficando pessimista com a situação dele. Não sei até quando vai agüentar a pressão.
Adrian Sutil, fazia a corrida de sua vida e levava seu modesto Force India na quarta posição, quando foi abalroado por Räikkönen. Apesar de eu ter tido a clara impressão de que ele vinha perdendo o carro no instante anterior ao choque. Consegui rever a cena algumas vezes. Mas como o erro que eu aponto pudesse não ter conseqüências tão graves, o culpado fica mesmo Kimi.
Mark Webber, o campeão da minha antipatia, chegou em quarto e marcou todos os quinze pontos da Red Bull no campeonato. Bem decente. Está queimando minha língua.

Rubens Barrichello agora é o piloto que mais disputou corridas na F1. Teve bolo, foto, capacete e pintura comemorativos. E a festa acabou em ressaca, com um carro muito lento nas retas e numa estratégia de apenas um pitstop. no fim, um decepcionante décimo-quarto lugar, três posições atrás de Jenson Button, também da Honda. E falando na montadora japonesa, essa semana foi anunciado o óbito da Super Aguri (Stupid Aguri, segundo David Coulthard). Nada mais previsível. Após dois anos de atividade, a Honda fechou a torneira da filial, criada (extra-oficialmente) para empregar o ídolo nipônico Takuma Sato. Isso não aconteceria se a equipe principal estivesse na crista da onda, mas ficou claro na decisão que a Honda A não queria uma concorrente quando decidiu apoiar a entrada do timinho no campeonato. Assim, todos os recursos disponíveis serão aplicados para tirar Button e Barrichello do limbo. Se bem que a central paddock de boatos já coloca o nome de Taku-San no lugar do brasileiro. Será?


